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Coronavírus: entenda o impacto que epidemias podem causar nas bolsas de valores

Afinal, existe uma relação direta entre o surgimento de surtos virais e a curva das bolsas de valores pelo mundo?

Já estamos vendo os impactos econômicos nos mercados globais em função do surto de coronavírus pelo mundo. Estamos diante de uma nova epidemia de números assustadores: já são mais de 400 casos fatais e 20 mil pessoas infectadas na China e foram identificados casos na Austrália, no Camboja, na Coreia do Sul, na Índia e nas Filipinas, onde houve uma morte, também. Além disso, há mais de 150 casos de suspeita investigados em 24 países, inclusive no Brasil, que declarou estado de emergência nesta terça-feira, 04 de fevereiro.

Quando o mundo enfrenta uma epidemia, sentimos medo e isso gera efeitos em diversos âmbitos da nossa vida, inclusive no mercado financeiro.

Esse reflexo, principalmente no mercado acionário, é absolutamente natural, pois as bolsas de valores costumam refletir todos os principais acontecimentos que impactam a rotina da humanidade de alguma forma. 

Mas, afinal, existe uma relação direta entre o surgimento de surtos virais e a curva das bolsas de valores pelo mundo?

Como ponto de partida desta reflexão, é importante pontuar que os mercados são impactados por fatores dos mais diversos tamanhos e segmentos, desde tweets de líderes globais até hábitos de consumo na China que impactam no mercado no Brasil – você notou que o seu churrasco ficou mais caro no fim do ano passado, não é?

Nosso especialista em Investimentos, Bruno Panerai, explica:

“Em situações específicas que abalam economias, o mercado tende a reduzir a exposição a cenários de maior risco e isto leva com que mais investidores vendam suas posições meramente pela desvalorização momentânea”, aponta.

Casos específicos de surtos de doenças

O mundo já viveu situações semelhantes ao Coronavírus, como em 2003 com a SARS, as gripes aviária e suína em 2006 e 2009 e o Zika, em 2016. Conforme Panerai, os mercados reagiram de forma não habitual no primeiro mês mas, conforme o risco de pandemia foi reduzindo e os impactos nas economias abrandados, voltaram a basear a sua análise nos fundamentos dos ativos e, assim, tiveram recuperação e valorização.

A Charles Schwab analisou o desempenho de ações ao redor do mundo, pontuando os maiores surtos virais das últimas décadas. Confira, no gráfico abaixo, como a recuperação veio nos períodos que se sucedem ao controle das doenças:

Fonte: Charles Schwab/Market Watch

Para evidenciar as curvas de crescimento no intervalo médio de seis meses entre o surgimento do surto e a contenção do vírus, pinçamos os dados das bolsas globais e você pode conferir, no detalhe do gráfico abaixo, como em quase todos os casos o mercado subiu no período de seis meses.

Outro ponto é que existem empresas e segmentos que acabam se beneficiando economicamente em situações como estas e os laboratórios farmacêuticos são o nicho mais óbvio a se citar. Panerai aponta um dado curioso em relação ao coronavírus:

“As ações da Netflix subiram devido à expectativa de que os chineses ficarão mais em casa para assistir filmes e, com isso, um maior número subscrições são esperadas pelo mercado”, exemplifica.

Parece insensível o mercado mostrar curvas positivas em momentos trágicos, como é o caso de uma epidemia global, não é mesmo? Entretanto, o fato que queremos nos referir é que as bolsas de valores são impactadas por questões das mais diversas naturezas. E que isso influencia tanto negativamente em momentos de incertezas quanto positivamente em oportunidades econômicas que surgem durante ou depois de crises pontuais.

Conclusão

Esta reflexão toda tem o intuito de acalmar os ânimos do investidor que está assustado com a queda nas bolsas.

Queremos frisar que o investidor de renda variável precisa estar focado no longo prazo e que momentos como este vão acontecer muitas vezes. Como pontuamos durante este texto, vários fatores influenciam o mercado, portanto é muito importante ter paciência, não sofrer com as oscilações de curto prazo e manter a sua estratégia de investimentos.

Repetimos o mantra: a Bolsa recompensa quem tem paciência!

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