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Como investir em renda fixa com a Selic em queda?

Entenda a importância da taxa básica de juros e por que sua redução abre novas oportunidades para o país.

Em seu relatório de junho de 2019, o Banco Central do Brasil apresentou uma expectativa de inflação ainda menor para este ano. A projeção de 3,9% foi para 3,6%, bem abaixo da meta anual de 4,25%. Com isso, a expectativa de uma queda na taxa básica de juros, para estimular a atividade econômica, vinha crescendo.

E a confirmação do corte animou os investidores. O Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros para 6% ao ano. Segundo o último relatório Focus, publicado em 29 de julho, o mercado espera que a Selic feche o ano ainda menor, em 5,5%.

Com a Selic em queda, como ficam os investimentos mais conservadores?

A taxa Selic é a taxa básica de juros do país. Ela é o parâmetro de remuneração do governo ao tomar dinheiro emprestado para fechar suas contas.

Como comprar títulos do governo é o investimento mais seguro, a taxa acaba servindo de referência para várias outras modalidades de investimento em renda fixa. A lógica por detrás deste funcionamento é bastante simples:

“Se o investimento de menor risco me paga X, qualquer investimento que me ofereça um pouquinho mais de risco deve me pagar pelo menos um pouco mais do que X”.

Claro que o grau de segurança não é o único critério de remuneração. A liquidez é um fator muito importante. Mas o importante é entender que, com a Selic em queda, os investimentos em renda fixa vão remunerar cada vez menos.

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Então isso é péssimo? Na verdade, não. Este é o preço da maturidade!

A palavra “risco” pode fazer muitos investidores ficarem preocupados. Afinal, quem quer correr risco?

Quando o assunto é investimento, o risco tem uma correlação com a perspectiva de rentabilidade. Ou seja, é a perspectiva de uma rentabilidade maior que torna mais atrativo correr algum risco.

Mas, visto de outra perspectiva, o que o parágrafo acima acaba implicando é que a segurança tem seu custo. E o que precisamos encarar com maturidade é algo que vai além disso: o excesso de garantias tem um preço, e ele não se resume à remuneração do seu dinheiro. O preço que todos nós pagamos é a estagnação econômica.

No Brasil, estamos mal acostumados

Em se tratando de remunerar o dinheiro emprestado, ninguém pode oferecer mais garantias do que o governo, afinal, os mecanismos do governo são mais amplos que os das empresas. Então, quando o Estado chega à bancarrota, a economia precisa estar deteriorada há tanto tempo que as empresas já terão quebrado.

Mas, mesmo com tantas garantias, o governo brasileiro têm um histórico de boa rentabilidade oferecida a seus credores. E este fato é tanto causa de alguns problemas quanto efeito de outros.

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Por que sempre tivemos juros tão altos?

Em termos gerais, juros altos servem para que o governo consiga captar recursos que estão sendo aplicados – ou gastos – em outros lugares. No Brasil, os juros altos são o resultado do desajuste das contas públicas, que faz com que o governo esteja sempre precisando de mais dinheiro para fechar as contas, e também de nossos problemas com a inflação.

Contas públicas

Quando olhamos para o cenário econômico nacional, o governo é sempre a opção mais conservadora de investimentos. Mas se olharmos para o cenário mundial, há países com as finanças mais organizadas do que outros.

Então, quando se trata de disputar os recursos de investidores estrangeiros, países com as contas mais bagunçadas acabam tendo que oferecer taxas mais vantajosas do que países que estão com as finanças em dia. E não é só a segurança que conta, a necessidade também puxa os juros para cima.

Embora estes dois fatores estejam correlacionados, eles são distintos. Um governo que gasta muito mais do que arrecada precisará pedir mais dinheiro emprestado e, caso não haja quem ofereça o empréstimo, precisa se dispor a pagar mais.

Inflação

Quando a inflação está descontrolada, o governo pode aumentar a taxa de juros para estimular os cidadãos a poupar dinheiro e segurar o aumento dos preços. Se guardar dinheiro se torna muito competitivo, as pessoas consomem menos e a inflação fica sob controle.

Então juros altos são um remédio?

Sim. Mas um remédio muito amargo e cheio de efeitos colaterais nocivos. Com o governo pagando tão caro pelo dinheiro, imagine como fica o custo do crédito para os cidadãos! Aliás, nem precisa imaginar, né? O Brasil tem taxas exorbitantes e todo mundo que já caiu no temido cheque especial ou que precisou usar o crédito rotativo do cartão de crédito sabe muito bem. Até o financiamento imobiliário, que estimula a construção civil, é caro.

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Com o crédito tão caro, fica difícil empreender, investir em aumentar seu negócio e contratar mais pessoas ou até mesmo investir na sua própria formação. E não é só pelo custo elevado do crédito. A renda fixa alta desestimula investidores a usar seus recursos em iniciativas que movimentam a economia. Com o governo garantindo remuneração tão alta, por que tomar o risco de ampliar minha fábrica e os negócios não irem tão bem?
Mas não é só o investimento privado que fica comprometido.

Pagando juros básicos tão altos, os investimentos do governo acabam custando mais do que precisariam custar. Noutras palavras: construir hospitais e escolas fica mais caro porque o dinheiro usado é um dinheiro extremamente caro.

Com a Selic em queda vão acabar os investimentos conservadores?

Não. Investir em títulos do governo vai sempre ser uma opção. Mas, como nas economias mais dinâmicas, a rentabilidade dos títulos públicos será menor. Nos EUA, por exemplo, a taxa básica está entre 2,25% e 2,5% ao ano.

Com as finanças organizadas e os juros mais baixos, o investimento público fica mais barato. Além disso, é mais convidativo para os cidadãos investir na economia produtiva. Abrir uma loja, prestar serviços, tirar aquela ideia de empreendimento do papel são coisas que começam a fazer mais sentido. E são essas as iniciativas que podem oferecer ao país oportunidades decisivas de desenvolvimento, com mais trabalho e inovação, menos desigualdade e melhoria na qualidade de vida da população.

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O que fazer então?

A tendência é que, para objetivos de longo prazo, mesmo os investidores de perfil mais conservador optem por alocações com renda variável e fundos multimercados. O foco em períodos mais longos de aplicação reduzem bastante o risco do investimento em ações e oferece bons retornos.

Dentro dos produtos de renda fixa, a opção por crédito privado e por produtos com menor liquidez pode impulsionar os rendimentos de quem busca mais retorno.

A renda fixa e os títulos públicos sempre serão um componente de estabilidade em uma carteira administrada, mas é na diversificação responsável e inteligente que o investidor das economias mais sólidas encontram rentabilidade.

Crie um objetivo para investir de um jeito inteligente, descomplicado e seguro!

 

Post original de 01/12/2019.
Atualizado em 02/08/2019.

 

2 comentários em “Como investir em renda fixa com a Selic em queda?

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